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O que é MPB? História, origem e principais artistas

A MPB é muito mais do que um gênero musical — é um capítulo vivo da história do Brasil. Nascida da resistência, moldada pelos festivais de televisão e reinventada a cada geração, a Música Popular Brasileira continua sendo uma das expressões culturais mais ricas do país.

Publicado em 2 de maio de 2026

O que significa MPB?

MPB é a sigla para Música Popular Brasileira. Mais do que uma simples categoria musical, o termo carrega um significado histórico, político e cultural profundo. Dependendo do contexto, pode se referir a um gênero específico surgido nos anos 1960 ou, de forma mais ampla, ao conjunto das manifestações musicais populares do Brasil.

Na acepção mais precisa, a MPB como gênero surgiu na segunda metade da década de 1960, a partir da segunda geração da Bossa Nova, com forte influência do folclore brasileiro e do engajamento político dos movimentos estudantis da época. É nesse sentido que usamos o termo neste artigo.

As raízes: antes da MPB existir

Para entender a MPB, é preciso voltar um pouco mais no tempo. A música popular brasileira — com letra minúscula — começa a tomar forma ainda nos séculos XVIII e XIX, quando se misturavam nas cidades brasileiras em crescimento o lundu de origem africana, a modinha europeia, cantigas populares e influências indígenas.

No final do século XIX e início do século XX, emerge o choro, considerado o primeiro gênero musical urbano genuinamente brasileiro. Pixinguinha, um de seus maiores nomes, seria mais tarde reconhecido como precursor da música popular brasileira moderna.

Em 1917 é registrado o que muitos consideram o primeiro samba: "Pelo Telefone", de Ernesto dos Santos (o Donga). A partir daí, o samba cresce junto com o rádio nas décadas de 1920 e 1930, na chamada Era do Rádio, que revelou nomes como Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e Orlando Silva.

O grande passo seguinte veio com a Bossa Nova, surgida no final dos anos 1950 nos apartamentos da Zona Sul do Rio de Janeiro. João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes criaram uma sonoridade nova: o samba harmonicamente sofisticado, influenciado pelo jazz americano, com voz e violão em perfeito equilíbrio. "Chega de Saudade" (1958) e "Garota de Ipanema" (1962) tornaram-se clássicos universais.

O nascimento da MPB: anos 1960 e os festivais

A sigla MPB começa a ser usada no início dos anos 1960, num contexto de intensa efervescência cultural e política. O Brasil vivia sob a ditadura militar instaurada em 1964, e a música tornou-se uma das principais formas de resistência e expressão.

Dois movimentos até então divergentes se uniram sob o guarda-chuva da MPB: de um lado, os defensores da Bossa Nova, com sua sofisticação musical e influências internacionais; de outro, o movimento dos Centros Populares de Cultura da UNE (União Nacional dos Estudantes), que defendia o retorno às raízes brasileiras e o engajamento social.

Os Festivais de Música Popular Brasileira, transmitidos pela televisão — principalmente pela TV Record e TV Excelsior — foram o palco de revelação de toda uma geração. Em 1965, Elis Regina vence o 1º Festival da TV Excelsior com "Arrastão", de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, em uma performance histórica que marcou o início de uma era.

Dos festivais saíram nomes que definiram a MPB: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Milton Nascimento, Gal Costa, Maria Bethânia. As disputas nos festivais eram acompanhadas com o fervor de uma final de futebol — o público torcia, vaiava e aclamava.

Tropicália e Jovem Guarda: as ramificações da MPB

Dentro da MPB, dois movimentos ganharam identidade própria e marcaram definitivamente os anos 1960.

A Jovem Guarda, liderada por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, abraçou o rock elétrico e os ritmos dançantes que vinham do exterior. Com temas mais leves e letras voltadas para o público jovem, foi criticada por parte da intelectualidade da MPB por sua "superficialidade" — debate que persiste até hoje sobre se a Jovem Guarda é ou não MPB.

A Tropicália (ou Tropicalismo), por sua vez, foi uma das experiências estéticas mais radicais da música brasileira. Caetano Veloso e Gilberto Gil lideraram um movimento que misturava deliberadamente o erudito com o popular, o nacional com o internacional, guitarras elétricas com berimbau, Beatles com música de raiz nordestina. O resultado era provocador e politicamente carregado — o que custou a ambos a prisão e o exílio em 1969.

A MPB nos anos 1970 e 1980: consolidação e diversificação

Com o endurecimento da ditadura após o AI-5 (1968), que instaurou censura prévia à música, muitos artistas foram silenciados, presos ou exilados. Mesmo assim, a MPB continuou a se reinventar.

Os anos 1970 viram o florescimento do Clube da Esquina, em Minas Gerais, com Milton Nascimento, Lô Borges e Fernando Brant criando uma sonoridade única, lírica e experimental. Djavan, Ivan Lins e João Bosco também emergiram nessa época.

Nos anos 1980, a MPB conviveu com o rock nacional — Legião Urbana, Titãs, Cazuza, Paralamas do Sucesso — que muitos consideram parte da grande família da música popular brasileira. Artistas como Marisa Monte e Zeca Pagodinho já anunciavam as transformações que viriam.

A Nova MPB: da década de 2010 até hoje

A partir dos anos 2010, críticos e músicos passaram a falar em "Nova MPB" — uma geração de artistas que reverencia a tradição enquanto experimenta com sonoridades contemporâneas: eletrônica, R&B, indie folk, jazz.

Nomes como Céu, Silva, Luedji Luna, Liniker, Os Gilsons, Anavitória, Jão e Rachel Reis são frequentemente associados a essa nova fase. A "cara do Brasil" continua presente — na língua, nos temas, nas referências — mas com roupagens completamente atualizadas.

No Spotify, a MPB mantém uma base de ouvintes fiel e crescente. O gênero aparece consistentemente entre os mais ouvidos no Brasil, especialmente em playlists de trabalho, estudo e momentos de relaxamento.

Principais artistas da MPB por época

Pioneiros e fundadores (anos 1960–70)

Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius de Moraes, Geraldo Vandré, Edu Lobo, Nara Leão.

Segunda geração (anos 1970–90)

Djavan, Ivan Lins, João Bosco, Marisa Monte, Cazuza, Renato Russo, Rita Lee, Alceu Valença, Zeca Pagodinho, Fagner, Elba Ramalho.

Nova MPB (anos 2010 em diante)

Céu, Silva, Liniker, Luedji Luna, Os Gilsons, Anavitória, Jão, Rachel Reis, Mahmundi, Duda Beat, BaianaSystem.

MPB e Bossa Nova: qual a diferença?

Essa é uma das dúvidas mais comuns. A Bossa Nova é, na verdade, um dos movimentos que originou a MPB — é a mãe, não a filha. A Bossa Nova surgiu primeiro (final dos anos 1950) com uma sonoridade muito específica: voz suave, violão batido de forma característica, harmonias jazzísticas, letras poéticas sobre amor e natureza.

A MPB surge a partir da segunda geração da Bossa Nova, mas vai além: absorve o folclore nordestino, o samba de raiz, o engajamento político, a Tropicália, a música regional. É mais ampla, mais plural, mais politizada.

No MinhasPlays, a Bossa Nova aparece como subgênero dentro da categoria MPB — exatamente refletindo essa relação histórica.

Fontes e referências

  • Enciclopédia Itaú Cultural — Música Popular Brasileira (MPB) — enciclopedia.itaucultural.org.br
  • Wikipédia — MPB — pt.wikipedia.org/wiki/MPB
  • Toda Matéria — MPB - Música Popular Brasileira — todamateria.com.br
  • O Povo — MPB: o que torna uma Música Popular Brasileira? — opovo.com.br
  • Nova Brasil FM — Música Popular Brasileira: 100 canções que marcaram época — novabrasilfm.com.br
  • Blog UNIS — História da MPB — blog.unis.edu.br

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